quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Linguagem de comunicação

Vou falar da forma, não do conteúdo da comunicação.

Falar dos moldes em como nos conectamos uns aos outros, na forma como comunicamos.
N“A maneira como dizemos as coisas”
A “maneira” que condiciona a forma como o conteúdo é Ouvido.

A comunicação pode ser à base de palavras, gestos ou entoações.

Dou 2 exemplos:

1) Existem hoje em dia oradores que conseguem cativar audiências através de palavras cuidadosamente seleccionadas ou gestos previamente estudados,

2) Existem também alguns dialectos aborígenes que contêm embebidos nos verbos, mensagens implícitas sobre os pontos cardeais e isso ajuda-os a saberem sempre onde é o Norte.

Por isso, julgo que na linguagem pode existir muito mais do que aquilo que actualmente exploramos.
Pode haver muito mais do que apenas 1 única dimensão de letras.
As letras juntam-se para fazer palavras,
As palavras juntam-se para fazer frases,
As frases juntam-se para fazer textos.

Mas porquê ficar por aí?
Porquê resumirmo-nos à limitação desta nossa linguagem?

Acrescentar à nossa linguagem várias dimensões faz com que a mesma fique mais rica e de certa maneira, a fazer mais sentido.

É como uma frase que sabe bem ouvir.
É um poema, um verso, um soneto.
Mais do que isso, mais do que o conteúdo, o som que o acompanha, o ritmo, a cor.
Sabe bem ouvir, mesmo sem sabermos porquê.

Na verdade, as dimensões se calhar já lá estão. Não são é percepcionadas.
Mas às vezes, sim.

Comigo sempre houveram duas palavras mistério:
"Tungsténio" e "Zimbabwe".

Comecei inclusivamente este Blog há mais de 5 anos com uma destas palavra - Tungsténio.
São palavras que para mim dizem-me muito mais do que o que representam literalmente em Português.
Há algo na sonoridade, ou no ritmo, que ainda não consegui descortinar.

Há para mim ali algo mais para entender.
Algo que sei que está lá, para eu Ouvir mas que ainda não consegui perceber o que é.

Por isso acredito nesta força da linguagem que leva-nos para além daquilo que conscientemente conseguimos entender.

Acredito na sensação que se consegue transmitir por entre letras.
Aquela que despoleta sentimentos.
Em tempos falei de um vuuooshh que gostava de poder conseguir fazer.

Enriquecer a nossa linguagem é ser capaz de estarmos mais em sintonia uns com os outros,
Enriquecer a nossa linguagem significa ler mais do que está escrito, aprender mais do que é ensinado.

Hoje, ao ver mais uma palestra TED, finalmente surgiu uma boa pista para entender o "Tungsténio".

Convido-te a ver este vídeo que para mim é um dos mais fascinantes que assisti nos últimos tempos.
Abre um novo horizonte.

A visão de um Mundo, pelos olhos de um autista que é capaz de dizer o que lhe vai na alma, utilizando para tal a nossa linguagem crua e simples, e não a dele.


No fundo é um agregar de várias pistas soltas que tenho encontrado ao longo deste percurso, algures entre:
- o observar o Pormenor,
- o Mentalismo,
- o poder das metáforas,
- o valor dos nossos sentidos,
- Os sentimentos e a forma como afectam a nossa memória.
Aqui vai:

A Faina

A quem tem fome, não se dá peixe, ensina-se a pescar.


Mas não basta apenas dar a cana de pesca.
É preciso ensinar a pescar, a saber pescar.

É aqui que reside a sabedoria,
no Saber Pescar.

Não em quantidade, mas sim em qualidade.
Pescar o adequado, o certo e suficiente.
E nesse pescar, usufruir e saborear o acto de pescar em si.

Olhar ao pormenor para ver as fronteiras que lá podemos encontrar e aprender com a forma como podem ser ultrapassadas.
Porque podemos viver sem fronteiras, mas isso resulta inevitavelmente numa vida sem sabor.


..Inspirado nas palavras sábias de um homem que se chama Salvador.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O bolo debaixo da cereja

Face à expressão conhecida “A Cereja em cima do bolo” acredito que de nada serve a cereja se não houver bolo.
O bolo é o que faz o enquadramento e cria o valor à volta da cereja.

Vivemos numa sociedade onde o consumo da cereja é cada vez mais frequente e se esquece por completo do bolo, da história, do enquadramento.
O sucesso é efémero e a ilusão uma constante.

Perceber a história por detrás da casta da vinha, da raça do seu mentor, do processo de fabrico e do ritual de decantação é que faz a diferença no vinho.
E o irónico é que no final, o vinho pode ser quase um qualquer.
Porque mesmo que tenha defeitos, aprendemos a gostar deles.
Os defeitos, face à história do vinho, transformam-se em particularidades, diferenças que marcam a diferença.

O “bolo” cria empatia e ecoa no interior dos nossos ossos.
Não é por acaso que são muitas vezes os mais orgulhosos da sua pátria que conhecem melhor a história do seu povo.
Conhecem as suas raízes E é dessas raízes que nasce o orgulho.
O orgulho das suas vitórias, das suas dificuldades sentidas e ultrapassadas e o respeito pelos antepassados que fizeram o mesmo e os inspiraram a seguir o exemplo.
O orgulho que nasce do Sisu - palavra finlandesa que tanto gosto.

Todos queremos saber as histórias porque foi a ouvir histórias que aprendemos a sonhar.

São as histórias que fazem as grandes palestras, os grandes artistas, os grandes produtos.

A história é o que faz o Homem, a Cultura, ou a Família chegar ao que são hoje.
A história são as experiências e as mensagens que dessas experiências são retiradas.
O Homem nada é sem a sua história.
Nada.. a não ser apenas uma cereja no meio de tantas outras à espera de serem colhidas.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Voar

"Voar" - Tão sublimemente retratado no filme Mar Adentro.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O porquê da "Crispação"

"Aos olhos da morte questionamo-nos sobre o porquê da Crispação entre os Homens"**.

Acredito que a crispação surge do Ego.
De querermos ser mais do que achamos ser,
quando na realidade se olharmos com atenção,
somos Muito.


** Inspirado nas palavras de um Homem que neste momento se depara com a morte de quem lhe é próximo e teve a coragem de exteriorizar o que lhe vai na alma.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sensação de plenitude

Trabalhar a Espiritualidade é aprender a sair da nosso Mundo.

Aprender a Viajar.
Ser capaz de soltar amarras, de libertar lastros.

Viajar...
Para noutros Mundos reencontrarmo-nos afinal, assim espelhados,
vistos agora com outros olhos, através de diferentes prismas, em diferentes lugares.

É encontrar no que nos trancende, aquilo que faz parte de nós,
Aquilo por que choramos.

O que nos completa, que nos preenche, como um Todo.

O que nos presenteia no final de contas com aquela que é a Sensação de Plenitude.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Cegueira

Pergunta a um Homem que vê, se ele é cego.

A resposta fácil é: Não.
A resposta difícil é: Sim.

A resposta certa é: Às vezes, cada vez menos.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Sonhealidade

Existe um perigoso terreno algures entre o Sonho e a Realidade.

É o pântano dos perdidos.


É a aldeia sem bússola,
O mar das sereias, ou a colina dos unicórnios.

É o Mundo por entre Mundos,
O Mundo por entre Imagens e Sensações.

O Mundo por encontrar, algures entre portas,
O Mundo da passagem,

É a linha que liga o ar do Céu à água do Oceano.
O ponto do Salto. O fim da prancha.

Mantermo-nos eternamente neste ponto, neste sítio, nesta passagem, é sermos estrangeiros na terra de ninguém.

Fracos e cheios de apegos.
Apegos sobre o que podemos perder, mas nunca tivémos,
com medo do que podemos encontrar, mas nunca teremos.

No dia em que te mostrarem a Porta, precisas estar pronto para entrar.
Precisas saber como dar o salto.

E Saber voar,
para saberes como voltar.

Porque aprender a sonhar de forma consciente, e saber voltar para concretizar os sonhos, é o segredo para criar espaço.

Espaço para que de novos sonhos surjam projectos e de novos projectos possam surgir mais sonhos,
no ciclo interminável da construção criativa.

(Texto inspirado na relação entre o "Hun" e o "Po" - dois termos presentes na antiga filosofia chinesa: ver http://en.wikipedia.org/wiki/Hun_and_po)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Processo criativo

Uma semente é depositada. Nem sei como, nem porquê.
Deixo-a crescer e germinar. Ao seu ritmo, à sua cadência.

Quando o momento é certo, o fruto nasce e de repente precipita-se.
Não há que esperar - é Agora. O fruto está maduro!

O processo criativo é isto. Saber dar tempo ao que precisa ser amadurecido.
Pode ser agora - Já. Pode ser depois.

É preciso estar atento e cuidar do jardim.
Terra nutrida nunca deu maus frutos.

Afinal de contas, somos iguais

Falámos, discutimos e existimos um com o outro, uma para o outro.
Houve um momento em que espaço foi criado entre nós.
E esse tempo fez com que algo se tornasse comum e igual entre nós.

Afinal de contas, vendo bem e por mais estranho que possa parecer, tu e eu somos iguais,
Iguais na discórdia ou iguais no consenso, mas somos iguais.

Camadas de abstracção

Ganhar idade nem sempre é ganhar sapiência.
Por entre camadas de abstracção que se acumulam, há sempre algo que se perde.
Porque não há tempo, porque não se digere, ou porque simplesmente se perde a vontade..

São os grãos de pimenta preta perdidos por entre fatias de fiambre.
Fiambre que deixa de ter riqueza e passa a ser simples fiambre, perdido numa sanduíche qualquer, para engolir à pressa.

Um nível de abstracção sobre o outro.
e outro e mais outro.

Quando damos por isso, nem reconhecemos os pormenores. Nem sabemos o que são…
Pormenor? O que é isso?

É aquilo nos dá o sabor, a cor e o calor da vida,
O aroma e a melodia da paixão.

..Desaprendemos em troca do Aprender.

Aprendemos a mover os dedos,
Com os dedos pegamos no papel,
No papel aprendemos a riscar,
Com riscos fazemos desenhos,
Com desenhos fazemos projectos,
E com projectos construímos Mundos!

Mas.... e os meus dedos? e o cheiro do papel? onde ficou? Quem o desaprendeu? Quem o não esqueceu?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O poder do click

Na nossa cabeça construímos Mundos feitos com base em alicerces e pressupostos definidos.
Pressupostos e variáveis válidos no momento em que os passamos a considerar.

Mas a vida avança e mais à frente não nos lembramos que esses pressupostos podem talvez já não se aplicar.
A vida mudou, e os pressupostos e variáveis ficaram congelados no tempo.
Em vez de nos ajudarem a viver, passaram a ser a nossa prisão.

São as muralhas dentro das quais construímos a nossa vida que sem sabermos, podem desvanecer à distância de um pensamento.
Elas existem porque somos nós que as alimentamos. São o nosso conforto.
São aquilo que em tempos foi a nossa segurança e agora representam a nossa prisão.

Somos prisioneiros e carcereiros em simultâneo. Donos da chave da nossa cela.

O poder do click existe quando de repente, quando somos encostados ao limite, surge uma luz, uma inspiração, um rasgo de lucidez que nos leva a perceber que se calhar, alguns dos tais pressupostos e variáveis que tínhamos como fixos se calhar já não se aplicam e podem inclusivamente mudar.

É o dia, a hora, o minuto em que percebemos que as muralhas podem desvanecer como nevoeiro.
Afinal de contas, bastava um click.

Boca do estômago

Em artes marciais ensina-se que se tivermos que “encaixar” um soco na boca do estômago devemos baixar o centro de gravidade e contrair os abdominais. Ao baixar o centro de gravidade, o estômago fica protegido por debaixo das costelas e dos músculos fortes do abdómen.


Refiro isto porque na vida, tal como nas artes marciais, é necessário baixar o nosso centro de gravidade, quando levamos um soco no estômago.

Precisamos ter consciência da nossa raíz para trabalharmos os impactos, por vezes violentos, a que a vida nos submete.

Sucumbir a esses impactos é desistir.

Aprender com eles é aprender entre outras coisas a enraizar. Criar estrutura.
Superar e ver mais além.
Converter o nosso fígado num bom fígado - é isso que nos permite olhar em frente.
Ser capaz de olhar para os Fins ultrapassando os Meios adversos que isso por vezes implica.

No fim de tudo, chegaremos ao juízo final. Não aquele que se apregoa,  realizado por uma qualquer entidade superior e externa a nós.
No fim, o juízo final faremos nós próprios ao avaliar o que nos propusemos alcançar nesta jornada e constatar o que foi realmente atingido.

A boa e a má notícia é que se não ficarmos contentes com o resultado, teremos sempre mais uma oportunidade. Não se sabe quando, e é essa incerteza que nem sempre é amiga da Felicidade.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ombro amigo

O ombro onde podemos repousar as nossas fraquezas.
O ombro que nos escuta sem censuras.
O ombro que nos permite baixar a guarda sem receios.
O confidente.

Saúdo todas as pessoas, todos os ombros amigos que sabem criar espaços para deixar com que outros possam saciar a sede, quando no meio de um deserto se encontram.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Aprender com os erros

Discuto com uma pessoa sobre um assunto, mas temos opiniões contrárias:

1ª hipótese: Ele(a) não sabe do que fala.
(Mas venho a saber que afinal temos o mesmo background).

2ª hipótese: Ele(a) é um(a) idiota - tem toda a informação mas não percebe.
(Mas venho a saber que é uma pessoa inteligente).

3ª hipótese: Está a contrariar-me propositadamente mesmo sabendo que eu tenho razão.


..Então e se....eu estiver errado? Isso não é hipótese?
Não. Claro que não.
Não é sequer hipótese porque a partir do momento em que passei a viver numa sociedade que aponta os erros como defeitos, como deficiências, como vergonhas, não me é concebível assumir os meus erros.

Assumir os meus erros é correr o risco de ser riscado do mapa.
Mas o problema é que todos erramos e todos tentamos na realidade esconder as nossas fraquezas.

Tal qual Lobo Alfa na matilha que esconde o seu ferimento para evitar ser destronado.
Estamos neste caso a aplicar a lei da selecção natural.
Mas com os humanos a lei da selecção natural nem sempre se aplica.
Não é por acaso que crianças que nascem com defeitos genéticos não são abandonadas.

Somos ligeiramente diferentes dos Lobos.
De tal forma somos diferentes que nos humanos até há quem goste de relatar as suas fraquezas físicas até à exaustão como forma de obter afecto e isso de certeza que não acontece nos Lobos.

Defendo que nos ouçamos com mais atenção e que passemos a conceber dentro das nossas mentes que do outro lado da discussão está também alguém em constante crescimento, e que o crescimento se faz muito à base de erros. 

O respeito pelo próximo está no facto de reconhecermos nele, a vontade de aprender com os erros.
A partir daí, os erros podem ser partilhados, com quem merece o nosso respeito.

Se os partilharmos, avançamos os dois mais depressa.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Espiritualidade e Trabalho

Mais e mais vezes sou confrontado com pessoas de valor incalculável e reconhecido para a sociedade que só após uma vida de trabalho começam a nascer para a sua própria espiritualidade depois de ter sido relegada para 2º plano por quase 60 anos.

Dizia no outro dia um amigo que as igrejas estão cheias de crianças e idosos.
E é verdade. O que é que afinal acontece às pessoas entre os 15 e os 65?

De tal forma é tremendo este fenómeno que se chega inclusivamente a pressupor que a espiritualidade e a vida profissional são como água e azeite. São incompatíveis.
Ou o Homem é espiritual e anda nas nuves - não trabalha.
Ou o Homem trabalha que nem um cão e esquece por completo o sentido da vida.

Também aqui há o caminho do meio.

Não vou defender a igreja A ou B. Pode ser uma qualquer igreja, credo ou filosofia.
O que te pretendo dizer é que devemos ter uma espiritualidade trabalhada e em constante crescimento como parte integrante e essencial da nossa vida.

Estou-me a lembrar por exemplo de Martin Luther King - um grande exemplo de enraizamento, intenção, objectivo, trabalho e espiritualidade.


Trabalhar a nossa espiritualidade faz de nós Seres mais completos, mais maduros, mais produtivos.

Convido-te então a olhares para ti de vez em quando.
Tal como quando olhas para o espelho, mas neste caso não para o que se vê de fora.
Olha para o que és de dentro.
Acaba de uma vez por todas com o desconhecido que há dentro de ti.

Este é apenas um pequeno passo mas que é essencial para que todos em conjunto possamos finalmente quebrar este ciclo terrível que invariavelmente nos leva às portas da Morte para só aí acordarmos para a Vida.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Salto de fé

Ter coragem para abrir os olhos.
Transportarmo-nos para lá do evidente.
Encontrar o sentido onde ele não existe.
Procurar.
Crescer.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Boas raízes + maus ventos = Muitas tempestades


É importante escolher o terreno onde vamos construir as nossas raízes.
É importante seleccionar uma zona fértil para lançar as nossas sementes.
É aí que cresceremos e será aí que nos transformaremos no melhor que podemos ser.

Mas também é importante escolher bem os ventos a que nos vamos expor.
As raízes serão a base da coluna vertebral, e quanto mais fortes forem, menos susceptíveis ficaremos a não sermos fieis a nós próprios.
Mas face a ventos constantes e consistentes, apesar de não mudarmos na essência, moldamo-nos, mesmo que não nos apercebamos disso.

As raízes são importantes, é certo, mas não nos podemos esquecer dos ventos.
Principalmente dos Maus Ventos.

Tal com a água fura a pedra, o vento molda a madeira.
Umas boas rajadas são óptimas para solidificar as nossas virtudes,mas às vezes talvez seja melhor reconhecer a nossa teimosia que brota de raízes fortes e profundas e perceber que se calhar, boas raízes não chegam, não são tudo.

Perceber que talvez por muito que nos custe, valha a pena mudar de terreno.
Porque temos que ter em conta o que nos rodeia e quem nos suporta.

A madeira acabará sempre por ser moldada.
É importante saber se os ventos sopram na direcção certa.
Caso contrário, só compraremos tempestades.

Tempestades entre o que sabemos que somos e aquilo em que nos vemos transformar.
Desilusões, injustiças e amarguras das que mais doem, das que mais nos marcam.

E isto aplica-se a todas as vertentes da nossa vida.

Duas máximas da sabedoria popular que se aplicam aqui na perfeição:

• “Diz-me com quem andas, dir-te-ei que és.” e
• “Mais vale só que mal acompanhado.”

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Aprender a voar


Existem fotos para as quais parecem não existir palavras.
Estas são exemplo disso.

Ser Pai é aprender a dar tudo o que de melhor conseguimos ser.
É crescer para poder dar.

Na realidade, ser Pai é alimentar e ser nutrido.
É abraçar e ser Amado.

Aos poucos vão abrindo as suas asas, e de pequenos pardais transformam-se em águias reais.

Vemo-los aprendendo a voar, ultrapassando os seus obstáculos, definindo novos limites.

Por isso, momentos como este são inestimáveis.

Momentos em que os nossos filhos nos deslumbram com a sua beleza e simplicidade e nos resumem ao pouco que somos perante aquilo que eles têm para nos ensinar.

Que voem alto.
Muito alto.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Um momento

Uma foto com muita, muita coisa para contar.
Basta só parar e olhar para ela com atenção.

O que significa,
A que diz respeito,
Quais as causas, as consequências,
O semblante das pessoas
O seu posicionamento na sala.


Muitos porMaiores.

("Sala de crise" - Casa Branca a acompanhar em directo a operação contra Bin Laden)

domingo, 1 de maio de 2011

Conquistas

A Liberdade que resulta da consciência tranquila.
O Orgulho que se ganha por si próprio.

Batalhas que se vencem em campos secretos.
Mundos que se conquistam em Universos privados.

Sorrisos que ateiam o nosso coração.
Fogueiras que aquecem o nosso espírito.

Ter Consciência que o tempo que nos foi concedido, não é em vão.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Casca de ovo

A propósito de regras de etiqueta e da ausência das mesmas quando alguém já é sobejamente reconhecido como pessoa respeitável, lembrei-me da casca de um ovo.

As regras de etiqueta são como um caminho das pedras para o aprendiz.
É preciso aprender a linguagem para depois poder falar e mais importante que isso, ser ouvido.
Nessa altura já todos sabemos que a mensagem não vem de fora, vem de dentro.

Nessa altura, já ninguém liga à casca do ovo.
Estou-me a lembrar por exemplo do notável Agostinho da Silva. Ninguém olhava para a sua casca, apenas para o seu conteúdo. E haviam muitos que não só o deixavam falar, como também o ouviam.

Na realidade a casca não serve para nada - apenas para colmatar uma insegurança juvenil que surge à volta da gema.

O auto-conhecimento leva-nos a uma vida sem máscaras.
Porque é no conteúdo do ovo que está o valor, não na sua casca.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A mentira

Triste é o momento em que o mentiroso é apanhado.

É triste porque se vê ressoar dentro do mentiroso uma enorme desilusão para consigo mesmo - por aquilo que se é e que se sabe que não se deveria ser.

Sei do que falo. Já menti e já fui apanhado e ainda bem que assim foi. Serviu-me de lição.
Doeu-me no peito – tinha 11 anos e falhei para com o meu melhor amigo. Mas marcou-me.
E agora compreendo este sentimento de desilusão nos olhos de quem desmascarei.
Mas tenho a dizer-te meu amigo. Não deve ser visto com tristeza, deve ser visto como uma boa oportunidade – Uma boa lição para não mais esquecer.

Mentir e ter a sorte de ser apanhado é bom quando se aproveita a oportunidade para aprender.
Assumir, Aprender e Começar de novo – de cabeça levantada.
Não tem mal – Aprender com os nossos erros é sinal de inteligência e maturidade.

O contrário é condenarmo-nos ao caminho do mentiroso compulsivo.
Tristes são os seres humanos que acreditam numa realidade que não existe senão na sua própria imaginação, criada à sua volta, envolta em milhares de mentiras, umas sobre as outras, perdendo-se a noção de quem é. E pior que isso, acreditando que todos à sua volta são cegos.
Tudo apenas para fugir à desilusão.
Tudo para negar que se é humano e que se pode errar.

Chegam a passar-se anos.
A dor não vai parar de acumular.
Pode deixar de doer, mas não vai parar de acumular e corroer por dentro como um veneno, como um ácido.
Até ao ponto em que nos tornamos num vazio só, sem sentido.
E nesse momento acordamos.
Acordamos para o pesadelo que criámos à nossa volta. Que choque. Que Morte.

Mais vale assumir e aprender.
Quanto mais cedo começarmos, melhor.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Imortalidade

Hoje foi mais um daqueles dias em que fui presenteado por um momento onde senti a inspiração passar ao de leve perante os meus olhos.

Ali estava ela, no fundo do meu cérebro.
Aquela pequena "sensação" de um momento só, que como que sorri na minha direcção e ao mesmo tempo foge de mim quando a tento perceber.

Como se ao tentar interpretar esta "sensação" dando corpo ao que estou a viver sob a forma de linguagem verbal, estivesse simultaneamente com este verbalizar a fazer com que o "sentir" se escape por entre as mesmas palavras que o tentam definir.

Mas acho que consegui apanhar a ideia e verbalizá-la - foi à justa, mas aqui vai:

Naquele segundo senti o que é ser imortal.
Por magia, vindo não sei de onde nem como, inundou-me um "Sentimento de Imortalidade".
Num único par de segundos libertei-me das correntes enferrujadas do Tempo e vi-me assim, tal qual como sou.

Agora,
Sem antes nem depois,
Sem idade.
Sem juventude nem velhice

Senti-me naquele segundo apenas e só o Eu que eu sou.
Em tudo aquilo que sou.

Livre, sem Tempo.

e depois, logo de seguida, foi-se embora da mesma forma que veio este "Sentimento de Imortalidade".

Sim Tu!
"Sentimento de Imortalidade", espírito em mim, que ao ires, me acordaste de novo, de volta à Terra e à idade que tenho, 
de volta a tudo o que isso significa. 
De volta ao que foi antes de hoje e o que virá amanhã.

Foste, mas sei que voltarás.
Porque cada vez mais te entendo e reconheço quando em mim fazes acordar a consciência ainda que de forma breve,
ainda que de forma fugaz.

terça-feira, 22 de março de 2011

Falsos profetas

Vejo os falsos profetas como pessoas que no seu âmago gostariam de ser aquilo que apregoam.

Mas ainda não conseguem.

Falta-lhes o tempo.
Tempo para olharem para si próprios e entenderem o verdadeiro significado daquilo que defendem.
Porque no fundo, as palavras estão correctas, aquilo que as sustenta é que ainda está verde e precisa de ser amadurecido.

Mas enfim, é um princípio.