segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Conexão

Tal como quando observo um estereograma,

É assim que me sinto quando estás por perto.


Quase que vejo, mas não vejo.

Quase que estou, mas não estou.


Uma sensação de trapezista sobre corda bamba.


Num ligar quase desligado.

Num desligado, afinal vivo.


Corro para apagar o som e baixar as luzes.

Porque é isto que eu tenho que estudar.


Vou aprendendo aos poucos a ignorar interferências 

e a tomar atenção aos pequenos sinais subtis que me deixas no canto do olho.


De tempos a tempos, lá estás tu.

Como que a desafiar.

Como que a arrepiar.

Tu que afinal sou Eu, do outro lado.

Do suposto inconsciente.


Posso ignorar ou posso ouvir.

Se ignorar, vou arrepender-me de nunca ter ouvido.

Se ouvir, vou arrepender não ter ignorado.


Não são vozes do além.

São vozes de dentro, da intuição.


Do que sabemos, sem saber saber.

São as palavras que trazem-nos conforto e alegria.

e que preenchem a nossa alma com a luz do Sol que ilumina a nossa Montanha.



quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Guardanapos usados

Tal como é costume sempre que se encontra alguém de outra nacionalidade, a conversa foi parar às palavras e às formas como as coisas se dizem.


Descobri uma em particular, que dita em Brasileiro é muito má, e que em Portugal não significa rigorosamente nada.

A questão já se me tinha levantado anteriormente quando vim a saber que entre países escandinavos existem palavras que embora sendo iguais, significam coisas completamente distintas, e por isso é preciso ter muito cuidado.


Neste caso particular, a minha atenção prendeu-se com o facto de haver um som, um conjunto de vocalizações ou sopros, letras ou sílabas que a mim não dizem rigorosamente nada e a outra pessoa dizem muita coisa – neste caso, coisas más.


Senti-me como uma criança que descobre a sua primeira asneira.


A sua primeira pedra para arremessar. 

Para fazer doer,

sem ter que bater.


Num primeiro instante a reação é a de incompreensão e estranheza.

Mas a verdade é que nessa palavra estão carregados sentimentos e experiências, impressos por toda uma cultura, por toda uma multidão que nela canalizaram a sua vivência.

Um verdadeiro balde de lixo para onde se deitam os restos.


Sou da opinião que nunca se deve atirar lixo às pessoas.

Canas de pesca talvez, mas nunca lixo.


Há sempre aqueles que dizem que ao utilizá-las não é verdade lixo, mas sim algo reciclado, diferente.

Que não é por mal, 

E que afinal é só uma forma de dizer.


Não deixa de ser lixo e sendo lixo, cheira sempre mal.


Limpar a boca a um guardanapo usado saberá sempre a isso,

A Guardanapo usado.

A amargo de boca.


Lava os dentes e verás como não necessitas de guardanapos usados.

O cheiro da pasta dos dentes faz-se sempre respeitar.






Acende a fogueira

Olha para dentro.

Encontra o veio principal.

A raíz, a coluna vertebral.


Respira.


Como um fervilhar crescente,

O arrepio percorre-te o corpo.


Tal como a música que mexe contigo, sentes-te pronto a correr.

É o fervor a subir de tom.

A adrenalina de um novo começo, uma nova esperança.


Tu sabes,

Como ativar.

Como catapultar o ânimo,

Como motivar.

Arrancar.


É a altura de sair das boxes e disparar, de volta à estrada.

F1 a derrapar no arranque,

1ª, 2ª, 3ª, 4ª a fundo.


A rasgar alcatrão.


Tudo passa a relativo,

Tudo o que importa é o que está ali mesmo à tua frente.


Ao teu alcance.



segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Testes

Grande parte do sucesso em ultrapassar um desafio é saber que ele existe.

De olhar brincalhão,  ele pergunta-te por entre o nevoeiro:

Então? Como é que vai ser desta vez?


Olhos e ouvidos bem atentos para ver com clareza,

respiração forte pra afastar as nuvens,

e raízes profundas para proteger dos ventos fortes.


Consciente do que defrontas,

És agora capaz de concentrar as forças naquilo que quiseres ultrapassar e acima de tudo de definir a forma como queres deixar esse desafio para trás das costas.



quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Transparências

De que vale estar inconscientemente acompanhado?
O que se atinge com relações fugazes (ou permanentes), plenas de um cinzento de conteúdos?

Pedaços de vidas desperdiçadas por quem insiste desapegar-se de etapas, de missões ou objetivos - imersas num eterno adormecer vegetativo. 
Por inércia, por medo ou por incapacidade de dizer que não.

O cultivo do retiro ajuda-nos a compreender a importância da compaixão e do amor fraterno.
Ao invés de apresentar-se como um ato de solidão prolongada, o retiro (ou a reflexão) pode ser simplesmente um estado de espírito momentâneo, acima de tudo, atento.

A reflexão ajuda-nos a perceber a importância de dar espaço e de praticar a escuta activa.
Ensina-nos a olhar para cada troca de experiências como um ato renovado de esperança, assente na certeza de que em cada relação existe sempre uma semente, pronta a despontar e a dar frutos.

O trabalho de casa nunca deve ser descurado.
Não devemos deixar acumular etapas, nem perder as oportunidades que se cruzam no nosso caminho.
Devemos sempre lutar para não ficarmos surdos nem cairmos na tal vida anestesiada.

A solução está sempre no Escutar, 
...mesmo quando aparentemente sozinhos.

A Vida dá-nos aquilo que decidimos precisar.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O tigre que há no Eu

O tigre na jaula não é Tigre.
Não cumpre a sua Natureza, 
Não cumpre o seu propósito.

O teu Tigre, quer-se Livre.
Com propósito.
E acima de tudo, simples.

Mais vale morrer lutando por viver.
Do que viver, lutando por morrer.


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Egoísta ou livre?

Tenho-me debatido sobre se o contrário do altruísmo é a corrupção.

Só porque percebi que querer para nós, significa inevitavelmente não deixar para os outros.

Por isso é que a corrupção é mais latente em países onde a fome abunda.


É sempre muito fácil apontar o dedo ao político corrupto mas difícil não desviar o olhar quando somo nós a passar à frente, na fila de trânsito.

Não será a mesma corrupção, fruto da mesma raiz?


Corrupção, num sentido de injustiça.

Numa Injustiça de saber que se outros o fazem impunemente, então porque não nós também?

Na dúvida sobre se o que fazemos fará a diferença.


Onde será que fica a fronteira?

Onde fica a linha da razoabilidade e até que ponto devemos ser intransigentes?


A resposta é: fica no nível em que queremos colocar a nossa fasquia.


Só de nós depende o quão alto queremos voar.

Só nós saberemos até aonde estamos dispostos a lutar para preservar a nossa liberdade.



Dia de morte

De vez em quando a morte dá o ar da sua graça.

Apenas para saber que ela existe.

Apenas para recordar do que é ser, sem ela.



quinta-feira, 10 de setembro de 2015

João Coração

A generosidade morre no dia em que o Homem decide que o que tem consigo, morre consigo.


Cair-nos no colo um objeto que passou de geração em geração ou de amigo em amigo é uma presente precioso.


Porque não é do objeto que se trata.

É daquilo que representa.

Dos sonhos, de pedaços de vidas vividas e da responsabilidade que representa cuidar e tratar do seu legado.


De saber que a vida é tudo, à exceção do próprio objeto.

De saber que o que temos à nossa volta não é nosso, é de todos.


Obrigado João, pela tua lição.

Abraço.



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Confinamento

A melhor jaula é a invisível.
A melhor chave é reconhecê-la.


Verdes anos

Ao ouvir Carlos Paredes descobri finalmente que era este o mote para a escrita que anda a desafiar-me há alguns dias, no canto do olho.

Os verdes anos. 
Os que nunca envelhecem.

Tenho refletido sobre o que significa poder viver até aos 100 anos.
E na responsabilidade que é de repente poder assistir a 70 anos de vida dos nossos filhos.
Do nascer, do crescer e do amadurecer.
E de ser testemunha de toda esta viagem, em corpo presente.

Antigamente, quando a esperança média de vida era de apenas 30 ou 40 anos, não fazia mal.  
Se a coisa corresse mal, não ficávamos cá para sentir o peso da responsabilidade ou o orgulho de missão cumprida.

Agora não.
Agora, a longevidade traz-nos este presente inesperado.

O de poder assistir in loco ao resultado da nossa ação, para o bem ou para o mal.
O de mostrar-nos que não temos outra opção senão sermos o melhor que podemos ser.

Remeto para uma TED Talk que vi já algum tempo: “Are you being the best parent you can?" - Ric Elias' talk
Eu sei que o meu é.

…e nem de propósito, na playlist começa a tocar inesperadamente aos meus ouvidos, a música de Gustavo Santaolalla que remete-me para escritos de outros tempos (“Hoje chorei por ti" - Dezembro/2008”)

Como é delicioso este puzzle.




sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Olhares

A vergonha encharcou os teus olhos, num prenúncio da mudança.

De esperança, para melhor.



quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Pré-movimento

A beleza da quietude está no potencial de movimento.



terça-feira, 25 de agosto de 2015

Frases Feitas

Não vou falar de citações, chavões ou lugares comuns.

Não quero pensar nos “Porquês”, nem “Para quês”.


Digo apenas que “Frases Feitas” não têm grande utilidade quando Esconder é o que se procura encontrar.

Comprar a frase do vizinho cumpre o nosso propósito apenas quando o dele é o mesmo que o nosso.

Sendo assim, porquê jogar às escondidas quando procuramos iluminar o nosso caminho?


Vale então a pena alimentar as frases que são nossas.

Dar-lhes corpo.

Nutri-las.

Regá-las.


Dia após dia,

Reflexão após reflexão,

Experiência após experiência.


Quando floridas, são frases com poder para iluminar os nossos lagos mais profundos.


Parar para ouvir o que dizem é encostar o ouvido no chão, junto às nossas raizes. 

É deixar que se materializem.

É dar-lhes espaço para um ponto final, sem parágrafo.



terça-feira, 18 de agosto de 2015

Opções de vida

Tenho para comigo que entre o caminho da virtude e o caminho da falsidade não existem grandes diferenças, em termos do nível de trabalho que é necessário desempenhar.

Os resultados porém, são obviamente muito distintos.


Se o nível de dedicação é então equivalente, porque persistem em haver pessoas que optam por ter negativa quando podiam ser 5 estrelas?


O relógio não pára e a sensação de vida desperdiçada é a maior de todas as feridas.



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O papel

Vi ontem na furnas (Ericeira) uma placa que dizia:


“Quando um barco navega sem destino,

todos os ventos são desfavoráveis.”


E isso espoletou em mim a seguinte reflexão:


A reflexão do papel.

De qual o papel a desempenhar?

De que papel a cumprir?


Que papel escolhemos?

Quando vier a hora da nossa morte, aquela que dará valor a toda a nossa vida, que papel queremos ter desempenhado?

Qual será a nossa marca?

O que é que teremos mudado?

Em que é que esta nossa viagem influenciou o Mundo onde escolhemos viver?


Compreendo agora a frase “ Estar ao serviço”.

Colocarmo-nos ao serviço significa abstrairmo-nos de quem somos, para centrarmos a nossa atenção no que é importante, que é aquilo que mudamos, a obra que resulta da nossa existência.


Entendo agora que atuamos, apenas pelo fato de estaremos vivos, pelo fato de respirarmos.

Seja na ação ou na inação.


Assim, quando fizermos o balanço, será fácil perceber para que é que serviu esta viagem.

Será mais fácil entender os “meios que justificaram os fins”.


Na certeza de que garantimos não perder de vista quais foram afinal os nossos fins.



quinta-feira, 23 de julho de 2015

Fórmulas

Os defeitos e as virtudes fazem parte de qualquer ser humano.

A nossa felicidade florescerá da procura pelas virtudes no próximo, nunca pela busca dos seus defeitos.



terça-feira, 21 de julho de 2015

Eis senão quando..

Eis senão quando.. acontece.

Inesperadamente, inconscientemente.

Aparece.


Quando menos se espera,

Durante uma qualquer conversa inocente, dizes-me o que dizer.

E.. é assim.

Realiza-se o que tem que acontecer.


O desabafo.


Gostava de viver no Mundo em que ninguém guarda o sofrimento dentro de si.

Gostava de viver no Mundo em que o sofrimento fosse naturalmente deitado ao vento de forma a que a nossa alma se mantivesse sempre o limpa.

Para que não fosse necessário escavar.

Mas é assim..


Eu pedi e tu ofereceste-me a oportunidade.

Continuamos assim - A viver hoje, o futuro que já me fizeste.



segunda-feira, 13 de julho de 2015

Palavras que não podem ser ditas

Num sonho apareceste-me, triste e combalido.
Uma autêntica sombra de um Homem.

Por tudo o que te acontecera e também por todos os pequenos nadas que não se realizaram.
Por lutos que ainda tens para viver,
E por sementes que ainda tens que regar.

Nos teus olhos falta-te um futuro.
Falta-te um vislumbre do que vais ainda fazer.

Ao cruzarmos-nos encolhes os ombros, torces o sobrolho e dizes-me que a tua vida não é feita de nadas, mas sim de um único Nada redondo, resoluto e sombrio.

Se eu pudesse, dizia-te que tens que te alimentar melhor.
Se eu pudesse dir-te-ia que só precisas de trazer para fora esse grito que te aflige o peito e que te afoga no mar das mágoas e desilusões.
Se eu pudesse mergulhava-te nas memórias da tua infância e fazia-te relembrar dos tempos em que ainda acreditavas que podias mudar o Mundo.
Porque a verdade é que ainda podes. O teu Mundo.
E não é assim tao difícil.

Mas não posso fazer isso.
São palavras que não te posso dizer.
Porque não somos assim tão próximos.

Mas o que posso, é esperar que um dia te cruzes com este texto e que nele encontres o primeiro passo que falta-te voltar a dar.

Um Abraço,


Voltas e mais voltas

Por mais voltas e voltas que tenhamos que dar, parece não haver forma de escapar.

Vimos ao mundo para agradar.


Agradar ao Pai,

Agradar ao Filho.


Agradar ao Amigo,

Agradar ao Amor da nossa Vida.


Agradar ao Próximo.



“Gradar” significa "Passar a grade sobre o solo para aplanar a sua superfície".


A "Gradar",

A "Aplanar", 

A "Suavizar", 

A "Desenvolver", 

A "Crescer".


Está na hora de sair do estado criança e saltar fora do carrossel.

Parar de andar às voltas e tomar rumo.


E porque não nessa altura pensar em agradar o Eu?


Não será esse "Eu" a fonte de toda a acção?

Como pode então existir tanto trabalho em prol de outros, sem um pouco de nutrição para si próprio?

A bem da sustentabilidade do acto de Agradar, há que Cuidar.




segunda-feira, 6 de julho de 2015

Perguntas de dar corpo a uma existência

Quantas respostas nascem de uma boa pergunta?
Quantas perguntas correspondem a uma boa resposta?

No final, o que contará mais?
Um trilho cheio de Boas perguntas ou uma estrada cheia de grandes respostas?


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Força, de dentro

A competição é salutar, quando realizada com respeito.

Quando se sabe Saudar o adversário é reconhecer que nele reside a força que faz-nos suplantar limites.


Mas existe também outro tipo de competição.

Aquela em que o adversário somos nós próprios

Em que ao competirmos por sermos melhores, pedimos ao adversário que há em nós, que puxe.


É preciso aprender a ouvir as palavras sábias do teu Eu.

É preciso agir quando o teu Eu te diz que não se deve deixar ninguém para trás.


Porque é nos momentos em que te levas a ser mais forte, que tratas de ser Maior.


"Tu não és pesado, tu és meu Irmão"



terça-feira, 30 de junho de 2015

Minuto de silêncio

Pagava horas de conversa por um minuto que fosse, do teu silêncio.
Um minuto do teu olhar, da tua essência.
Um minuto da tua voz interior, 
sem máscaras nem disfarces.

Um minuto apenas.

Um minuto que porventura até poderia valer uma vida inteira.
Num único minuto, capaz de te dizer tudo o que há para dizer em toda uma existência.

O minuto dos tesouros,
Num único silêncio.


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Professor

O Grande professor continua a dizer que para aprender há que tomar atenção.
Há que demonstrar vontade de aprender.
Há que mostrar ser digno.

Só assim as pérolas serão libertadas.
Quando houver quem demonstre que as queira ler.

Que grande Escola tem sido esta caminhada.


Colibri

Mais uma vez perdeste-te.
Mais uma vez deixaste-te ir atrás dos outros,
Daqueles que segundo os teus receios, representam que ainda não és ou que são quem tu almejas ser um dia, mas que por enquanto vivem para lá da cortina dos teus medos e receios.

Sao aqueles que invariavelmente te abandonam a meio da caminhada e te deixam assim, desconcertada, no meio do nevoeiro.

As lebres vêm e vão e a loba mantém-se perdida na bruma até entender que está na hora de parar.

Não é atrás deles que tens que correr.
É atrás de ti.

Está na hora de aprender a olhares-te olhos nos olhos e reconheceres que as rugas e as cicatrizes são quem tu és e que deves-te orgulhar das mesmas.

Está na hora de parares de perseguires quem não és e descobrir que não és o cão de fila que um dia te pintaram.
És sim, o colibri que vive adormecido, num plano diferente daquele onde estás agora, à espera de poder voar.



domingo, 28 de junho de 2015

Não digas adeus

Olhei-te à despedida.
Estavas encostada à parede, com o olhar pregado no infinito.

Ao afastarmos-nos, vi-te ali, mergulhada nas saudades da vida vivida, 
Mas esquecida do futuro que ainda está para vir.
Parecia que te estavas a despedir, numa despedida a sério.

Mas eu não me despeço de ti.
Não é ainda o tempo de te ver ir.

A sina que te caiu nos ombros não será suficiente para apagar o teu olhar de criança,
Nem forte ao ponto de ensurdecer o teu riso traquina de menina.

Porventura será mais uma mensagem,
Desta vez, daquelas que batem forte, porque insistimos em não ouvi-las até hoje.

A lição, é assim hoje vivida, no presente.
E devo dizer-te que hoje, foi um bom dia.
E amanhã será ainda melhor.

Basta que não digas adeus.


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Saudades ao nascer do sol

“Pai,  estás a fazer um bom trabalho”


Basta isto.

Não é preciso beijos, nem prendas nem rebuçados.

Só é preciso isto.


A frase simples e inesperada, solta por entre conversas.

Entregue assim, de forma inocente, por entre olhares sinceros e abraços apertados.


Como se tudo fosse tão simples.

Como se não fosse “Nada”.


Esta simples frase é só o pequeno “Nada” que encerra nela a força que me faz vestir a capa de Super-Homem todos os dias.


Mesmo que eu já saiba que no silêncio dos vossos pensamentos já tenham entendido que não há homens voadores,

Mesmo que eu já saiba que a minha capa não esconde todas as cicatrizes,

Eu visto-a todos os dias.

E com ela levanto voo.

Tantas vezes quantas as necessárias forem, para ajudar-vos a encontrar o vosso Caminho.

A descobrirem o Verdadeiro super-herói que vive dentro do vosso peito.


Somos todos feitos do mesmo pó de estrelas e todos brilhamos no mesmo comboio.

Podemos estar em carruagens diferentes mas por gloriosos momentos fomos convidados a partilhar um mesmo percurso.

Esta é a jornada épica que escolhemos percorrer juntos.


Para ensinar e ser ensinados.

Para Sonhar e viver Acordados.



Dizem que a saudade vem sempre depois do Adeus.

Não é verdade.

A Saudade já vive em mim, desde o momento em que vocês decidiram fazer parte da minha viagem.



sexta-feira, 5 de junho de 2015

Velhos são os trapos

Procuras o simples e apenas obténs o complexo.

Porque uma vida de complexos foi o que construíste todos estes anos.

O simples aparenta assim ser o essencial para tudo o que tu és e no entanto, totalmente inalcansável.


Que dura que é a esta desconstrucão.

Que desafio, 

Que necessidade de entrega.

Como se num segundo te fosse pedido todo o esforço de uma vida.


E no entanto..

No entanto é isso que procuras, 

Que anseias,

Que precisas.

e que estás determinado a conseguir.


Se é essa a tua vontade, 

então não há que olhar para trás.


está na hora de voltares a ser criança.



terça-feira, 2 de junho de 2015

Plataformas

Depois de 2 anos como voluntário do programa “Economia para o sucesso” da Junior Achievement, 2015 foi o ano de avançar para o programa “A Empresa”


No início há sempre espaço para o nervoso miudinho.

A adrenalina que faz-nos estar mais atentos.

Afinal de contas, a missão do voluntário JAP é essa mesma – a de estar atento.


De saber Ouvir e de Questionar.

De Catalisar.


De sentir a responsabilidade em procurar nos olhos dos futuros gestores deste País o brilho do que se deve iluminar.

De saber alimentar a faísca da curiosidade com o combustível da vontade em querer mais.


No programa “A Empresa” trabalhamos as faíscas.

Damos-lhe corpo, lume e alma.


Colocamos ao serviço as experiências que a Vida já nos ofereceu e fazemos com que sejam elas as plataformas de onde as promessas do amanhã levantam voo e concretizam-se em todo o seu esplendor.


Abram bem as vossas asas e voem bem alto, tão alto quanto Fernão Capelo Gaivota ousou alcançar.



segunda-feira, 1 de junho de 2015

Uma boa história

Só vais conseguir contar uma boa história quando encontrares a tua missão.
Quando descobrires o que estás aqui a fazer, as tuas virtudes e os teus defeitos passam a fazer parte do enredo.

Uma vida, um livro.
Que seja uma aventura épica.

Escreve bem, pensa claro, age decidido.


sexta-feira, 29 de maio de 2015

A boa caminhada

Os fracassos e os sucessos são dois degraus da mesma escada.

Devem ser encarados da mesma forma:
Com a serenidade e a convicção de quem sabe qual é a sua missão.


sexta-feira, 15 de maio de 2015

As pedras do nosso caminho

Saramago fala-me da estátua e da Pedra

De ir mais fundo,

De ir à essência do que é ser Pedra.

Daquilo que já se era antes de ser estátua, e depois de já não a ser.


Daquilo que se é, por dentro.


Saramago mostra-me a miríade de caminhos possíveis.

Relembra-me dos jogos de tabuleiro, onde somos peões e jogadores do nosso próprio destino.



quinta-feira, 7 de maio de 2015

Histórias

Apanhei-te na rua num estado indescritível.
Sujo, magro, a sangrar das orelhas e de almofadas das patas furadas..
Maltratado e abandonado.
A veterinária ficou sem palavras ao ver que tremias sempre que ouvias uma voz masculina.

Passados 2 anos já pareces um galgo de corrida - ninguém te pára. Gravas pistas de corrida por onde passas.
És Cão de guarda e Coração de afecto.

É assim que gosto de ti.
Garra e amor,
Explosão e redenção.
Com tutano e história para contar.

Às vezes gostava de ouvir as histórias que carregas no teu olhar.
Porque é que insistes em lamber terra?
De que é que isso te faz lembrar?
Porquê e como é que aprendeste a gostar?

Hoje dei-te a prenda que mais gostas.
Não é um Ferrari, não é a nova versão da PlayStation, não é o osso suculento.
É um simples pedaço de pão.

A forma como seguras esse pedaço de pão talvez sejas a tua forma de me mostrares que a alegria está sempre nas coisas simples.
Mas não numas quaisquer coisas simples.

É nas coisas simples que só se conseguem encontrar, depois de longas caminhadas.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Perspectivas

 

Sussurros, 

Murmúrios e Burburinhos escondem-se todos os dias ao virar das nossas esquinas.

São unicórnios, estas pistas que escapam à nossa compreensão, quando as tentamos verbalizar.


São enigmas, 

Segredos e mistérios, que compõem a riqueza da nossa existência e que se escondem para lá dos pontos de vista.

As perspectivas que defendemos são muitas vezes paredes, contra as quais invariavelmente esmagamos a nossa ignorância do que é ser um Todo e alcançar a Verdade.



domingo, 3 de maio de 2015

Um e outro

Celebrar a diferença de opinião é uma sabedoria que não vive no cérebro, 
Vive no coração.


quinta-feira, 30 de abril de 2015

Conversas atentas

Estar atento ao que acontece à nossa volta é o método mais simples e eficaz para contornar a gritaria do nosso processo mental.

Basta abrandar para ouvir os sinais.
Basta parar para interpretar os movimentos.

Se assim o fizermos, mais facilmente chegamos ao nosso centro.

Descobrir no dia-a-dia, a razão de todos os pequenos acontecimentos, 
Encontrar o fio condutor, 
razão da nossa crença e dos nossos sorrisos.

Procurar em redor os espelhos que mostram quem somos, 
Alinhar no fluxo continuo de informação e beber da fonte de onde nasce o diálogo coerente e construtivo.

O diálogo entre quem? 
Entre nós próprios.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

A roleta e a bússola


Há dias melhores e dias piores.
É o destino do acaso.

A preparação serve sempre para limar as arestas e moldar o barro à tua intenção.

Sempre que uma vitória te cair inesperadamente no colo, abraça-a e aceita-a de boa vontade, tirando dela o maior partido.

Se por outro lado for uma derrota que te bata à porta, trata de garantir que ela não foi em vão. 
Ela não foi uma simples obra do acaso - No mínimo, foste tu que deste espaço para que tal acontecesse.

Já notaste o quão semelhantes são a roleta e a bússola?
Talvez a mensagem seja a de que devemos transformar a roleta numa bússola.

Podes às vezes ganhar por sorte, mas trata de nunca perderes por azar.

Sabes, 
A vida deixa de ser uma seca, a partir do momento em que fazes as pazes com ela.


segunda-feira, 27 de abril de 2015

O abraço

Ontem, no topo da sua coragem de 3 aninhos, um menino lançou-se à travessia de uma ponte de corda.

A meio, hesitou. Paralisou.


Na outra extremidade, um homem, no topo da árvore.

Um homem a quem de repente foi dada a missão de agir, de dar conforto, à criança que tremia.

Esse homem teve a sorte de estar ali, e também a presença de espírito de no momento certo, limpar-lhe todas as inseguranças e receios.

O homem não sabia, mas ele era um homem-Gorila.

Um velho e sábio Gorila de abraço quente e apertado.


Descobriu que era Gorila porque bastou só isso,

O abraço apertado.

Sem saber, fez o que devia.


O abraço fez com que tudo se desfizesse num ápice.

O Homem, agora Gorila, pegou no menino, agora Tarzan, e levou-o à outra extremidade.


O menino levantou o queixo e acenou para os seus Pais, que assistiam atentos e perplexos, num misto de orgulho e preocupação perante a façanha a que o seu rebento se havia proposto.


Talvez um dia o menino-Tarzan não se lembre.

Mas o homem-Gorila não esquecerá.


Porque da sua memória não sairá a imagem esculpida do momento em que ele soube estar à altura.

Foi a ele que lhe calhou esta sorte - podia ter sido qualquer outro.


Mas foi a ele que lhe deram este presente.

O presente de perceber que basta Um só abraço,


..porque é de abraços que a Vida é feita.



terça-feira, 21 de abril de 2015

O Sapo

Parquimentos,
Impostos sobre os combustíveis,
Portagens,
IVA,
IMI,
Imposto de Circulação,
Imposto de Selo,
Inspecções periódicas,
Certificações energéticas,
e muitos outros

..Tantas e tantas taxas e taxinhas, umas declaradas outras dissimuladas.
Chego à conclusão que todas estas migalhas são o grande Pão que nos tiram diariamente da boca.

Tudo para encher um balde roto, cheiro de buracos por onde se alimentam os impunes que desfilam sorridentes, perante a nossa passividade, com uma aparente imunidade acima de qualquer suspeita.

Viver neste País é difícil.
Não será o mais difícil - é certo. Há por aí muita tristeza pelo Mundo fora.
Mas ao ambicionar melhor, (em vez de comparar com o pior) só posso dizer que viver em Portugal é difícil.
E é triste dizer isto.

É difícil porque são inúmeros os lastros que se impõem à nossa população activa, paralizando-a.

Os Portugueses não têm motivação?
Os Portugueses não trabalham?
Mas afinal com quantos quilos às costas têm os Portugueses que trabalhar todos os dias para justificar o seu valor?
Não me venham falar de preguiçosos e de gerações rasca.
Há muita força nos braços.
...Daquela que só se encontrava nos melhores escravos de galés.

Como explicar esta realidade aos nossos filhos, sem parecer no mínimo anedótico?
Sem parecer um Sapo.
Um Sapo que vai cozendo lentamente na panela, até ser tarde demais.
As taxas e taxinhas são o lume brando, e nós, os Sapos que vamos cozendo.

Na Idade Média haviam senhorios que sabiam manter um modelo "sustentável" que lhes garantia o sustento.
Eles sabiam como manter os Sapos vivos para se manterem produtivos, por mais cruel que isto possa parecer.
Simples - inspiraram-se nos exemplos da Natureza.
Na altura o Sapo raramente cozia e nunca lhe saltava a tampa, ou pelo menos só lhe saltava uma vez.

Hoje, em 2015, seria suposto sermos mais inteligentes e acima de tudo mais Humanos.

Não.

Hoje em dia o estrangulamento das famílias portuguesas é de tal forma que só lhes resta uma solução
Saltar a tampa não, que somos um povo demasiado civilizado para isso. A revolução dos cravos é a prova inequivoca de uma revolução civilizada como mais nenhum povo foi capaz de o fazer.

Portanto a solução é saltar da panela - Fugir, Emigrar.
Tentar outras paragens onde o senhorio (País) seja mais "inteligente".
Já perdia a conta ao número de amigos a quem a Pátria os abandonou.
Amigos a viver com dor no peito por não poderem viver no sítio onde nasceram.

Ahh Portugal, assim resta-te um só Fado.
O Fado do moribundo,
Do País extinto de Sapos a quem cobrar mais taxas e taxinhas de que tanto dependes.
E depois vais viver do quê?
Casinos? Eonomias paralelas, esquemas e afins?

Levanta-me esse queixo Portugal!
Ainda vais a tempo.
Assume-te senhor do teu nariz!

Ainda não desisti deste Paraíso que só se reconhece por quem já vagueou lá por fora.
Mas também confesso que não vislumbro uma mudança de direcção num futuro próximo (independentemente da cor política).
Por isso, vou ensinando os meus filhos a pensar Global.

Não quero que eles aprendam a "Engolir Sapos"