terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Hoje chorei por ti

Chorei de Amor.
A olhar para o teu sono,
Contemplando a paz do teu semblante.

Chorei de raiva.
De sentir o tempo fugir-me por entre os dedos,
De não ter espaço para te dizer o quanto te amo.

Fazes parte de mim, do meu sangue, da minha vida.
Custa-me saber que um dia vou deixar-te.
Dói-me cá dentro e não consigo deixar de sentir este buraco.

A saudade dos tempos que virão.
De querer mais contigo, de juntar-me a ti.

Escrevo-te neste momento como nunca escrevi, nem sei se alguma vez vou voltar a escrever desta forma.

Escrevo-te porque dormes neste momento e quero que saibas que quando eu for,
Eu estive ali, durante o teu sono.

Quero que saibas, que consigas, que sintas, o quão grande é o amor que tenho por ti.

Sinto-me a expurgar algo que tenho engasgado dentro de mim.
Um amor de Pai que não compreendo mas que me toca no fundo.
Tão fundo.

Hoje chorei por ti, meu filho.

..ao som da música de Gustavo Santaolalla

3 comentários:

paulo disse...

Epá.. é exactamente aquilo que sinto imensas vezes, e para o qual não tenho engenho para escrever. Obrigado. Esse sou eu com o peso da distância que esta vida me exige.
Posso plagiar? Para elas saberem o que sinto..rs

Paulo disse...

Podes.
A questão é: O que fazer para mudar?

paulo disse...

Viva Paulo,

Penso sinceramente que é uma questão de prioridades e de gestão de carreira. Tenho a “sorte” de trabalhar por conta própria e de ser quem decide a gestão do meu tempo. A verdade é que, após anos de 13,14,15 horas dia de trabalho, decidi optimizar e estabelecer limites com o nascimento da minha segunda filha. Penso que hoje tenho a mesma produtividade, a empresa evolui muito positivamente e tenho uma vida familiar que me faz sentir pai na sua plenitude e participação.

Para mim foi terrível ter de assumir que estava a perder, e perdi em parte da minha filha mais velha, o nascer de uma personalidade e de tinha muito pouco da minha intervenção e ajuda.

Enfim, temos que ser o melhor que conseguimos, apenas isso…
As tuas palavras, são de facto aquilo que sinto ainda por vezes, raras felizmente, quando me perco do foco do centro da minha vida.

Abraço