quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Pontes para o desconhecido

Negar a sua própria imperfeição é abraçar a solidão.
É preciso aceitar a vulnerabilidade para que se crie o espaço necessário para construir as pontes com o exterior.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Dar a volta ao Mundo e voltar ao ponto de partida


7 mil milhões de seres humanos significam 7 mil milhões de diferentes vidas possíveis.

Partindo do pressuposto que não se escolhe a vida antes do nascimento, muitas dessas opções na verdade nunca te serão apresentadas, fruto do sítio onde nasceste e de quem são os teus progenitores. Ainda assim, as permutações possíveis à nascença são infinitas.

Se tomarmos como base a teoria dos multi-universos (https://en.wikipedia.org/wiki/Multiverse)
, cada opção tomada na nossa vida representaria o nascimento de um universo paralelo que seguiria o seu caminho.  A cada opção tomada, uma outra instância de ti partiria noutra direcção, numa vida autónoma, distinta daquela onde estás neste preciso momento.
No fundo, isto significaria que quanto mais opções tomadas, maior seria o número de vidas paralelas criadas.

Nesta perspectiva pergunto: Será que se optarmos por não decidir, transformamo-nos num figurante da instância de vida de uma outra pessoa?

Qual será então a diferença entre um clone nosso que faça parte da vida de outra pessoa, e um outro Eu, verdadeiro, numa vida em que tomamos o pulso?
Será que é a opção consciente que dita essa diferença?

Deambulações à parte, é inevitável a seguinte reflexão:
O que representa afinal a instância consciente dentro de ti que está neste momento a ler este texto?
Diria que é aquela cuja existência exige que não se desperdicem oportunidades.

Baralhando e tornando a dar, deixo apenas para reflexão a outra hipótese que deixei em aberto no início deste post que era a de termos a capacidade de escolhermos a nossa vida antes do nascimento.  O que mudaríamos então na nossa atitude nesta abordagem alternativa?

Por esta altura já deverás estar a pensar que tipo de medicamentos devo andar a tomar... :) :)

Tudo isto apenas para dizer que é crucial irmos ao volante da nossa vida, seja ela qual for, em que cenário for.



segunda-feira, 29 de julho de 2013

Norte

Quando buscas orientação pede o mínimo indispensável, para que quando saibas para onde ir, tenhas tudo a que tens direito. 

Faz com que o Propósito seja o teu Norte no mar das indecisões.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Amizade

Numa conversa franca e aberta não há espaço para mais nada senão a base de uma grande amizade.


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Parte 2

Quando chegas ao cume de uma montanha de primeira, é o momento exacto para meteres a segunda.

Enquanto uns abrandam para descansar, tu aproveitas e disparas em dupla velocidade.
Fazes de lebre de ti próprio e cresces sobre o já atingido.

Assim distanciar-te-ás do pelotão.
Assim farás a diferença.

A celebração não é feita na meta mas sim na vertigem do caminho desbravado.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

DEcantador

De_Cantador,

De alguém que embala, que canta.

 

Decantador é também algo que ajuda a libertar o aroma do vinho novo,

Ou a separar os sedimentos de vinhos mais maduros.


Separar o que não presta, ou ajudar a realçar o que de melhor existe.

 

A cantar também acontece o mesmo, neste caso com o ser humano. 

Seja voz boa ou má,

forte ou baixa,

Quem canta, executa em si um acto de libertação,

 

Aplica-lhe a respiração abdominal,

Mexe nas emoções. 

Nas suas e nas dos outros.

 

E isto, a meu ver, é decantar o espírito.



segunda-feira, 24 de junho de 2013

Paixão

Por entre olhares e palavras não escutadas, 
Dizes-me o que te vai na alma.
E eu escuto o teu querer.

Raízes do mesmo coração, da mesma água e da mesma terra, 
Respiramos o mesmo ar, o mesmo calor.

Somos um apenas.

Apenas e Tanto.


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Pronto, já estou Pronto!


Há viagens que surgem do nada, e outras que são planeadas à exaustao.

Mas também as há, preparadas, planeadas, mas que não há maneira de começarem.
Em que todos os preparativos são cumpridos e nada acontece.

Navios que ficam no porto.
Águias que nunca largaram o ninho.

São as alturas em que julgamos que mais nada há a dizer e que...Pronto, já está tudo. 
Já estamos à espera, à escuta. 
"Venha ela!"

...mas ela não vem...

É como se estivéssemos largados numa ilha deserta, preparando o dia em que o navio nos vem buscar, 
Já arrumámos a barraca, juntámos os trapos, penteamos o cabelo e agora já só faltava mesmo era o navio aparecer,

Mas não há meios de surgir...

Talvez porque ainda não estávamos prontos e por isso ainda era cedo para vir, e sentimos que temos a oportunidade divina para arrumar o que afinal ainda faltava.

Arrumamos mais uma folha de palmeira e endireitamos um último coco desalinhado.
E ficamos a olhar o horizonte, na esperança de um sinal de fumo.

Nada!
Nem um Sinal.

Sofremos, choramos, imploramos.
Gritamos enraivecidos "Porquê!!"
..E desistimos. 

Soltamos um ultimo suspiro vestido de nada e entregamos-nos ao destino.
Morremos.

Depois de fartos de todo este teatro damos por nós a brincar com grãos de areia, esquecidos de tudo e de todos. Esquecidos de nós próprios.

E é aí que fazemos o clique: O Sinal era não haver sinal!

Depois de despidos de expectativas e de ideias pré-concebidas, finalmente entendemos que 
Se estou Pronto, devo arrancar!

Soltar amarras. 
Tudo o que havia para fazer já está feito. 

Ninguém vem-te buscar. Tens que ser tu a ir à procura.
Se já estás pronto, estás pronto para partir. 

Tu és o Sinal.
O que custa chama-se medo.


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Flow

O tempo marcado no relógio, aparenta viver separado em milhares de pequenos pedaços. 
Horas, minutos, segundos...

Intervalos maiores ou mais pequenos supostamente constituem aquilo que se sugere ser uma soma de amostragens discretas. Uma amálgama caótica de experiências soltas.

Tal como no rio, o tempo não é um conjunto de gotas de água perdidas.

O rio, ou neste caso o tempo, é um só.

Preencher os intervalos com a substância que tudo cola, que tudo sara, e que faz com que tudo faça sentido, permite-nos alcançar que todos esses pequenos pedaços de desnorte são na verdade um contínuo de significado.

Encontramos o fio condutor.

Entendemos finalmente o que significa estar acompanhado.
Sentimos presença.
Criamos plenitude.

Aprendemos a Estar,
Talvez de forma diferente.
Porventura mais presente.

Com mais presentes.


Amazónia

Ao chegar perto de ti, gritaste comigo.
Gritaste como um trovão, mas silencioso.
Com uma tranquilidade aterradora.
Uma quietude inquietante.

Pediste-me que me calasse.
Que deixasse o dia para trás.
Que o esquecesse.

Disseste-me para acordar.
Para abrir os olhos e Ver.

Ofereceste-te a mim.

Fitaste-me nos olhos e em vez de mostrares o teu Sol, entregaste frescura e afecto.
Presenteaste-me com um indescritível anoitecer seguro.

Apenas um ou outro pássaro se ouvia ao longe, num chilrear mais distraído.
Até que tudo se calou.
Como se de uma orquestra se tratasse, alinhando-se e aguardando pelo seu Maestro.

E eu, deixei-me estar, 
imóvel, 
pronto, 
atento, 
à escuta.

No meio do silêncio surgiram finalmente por entre as copas, como que Deuses pairando por entre as nuvens, pequenos rasgos de inspiração. 
Pedaços de vida que inspirados, me trouxeram a mim, à minha terra, ao meu ser.

Hoje reapaixonei-me por ti.
De tão belo que te apresentaste perante mim, deslumbrante vale encantado.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Nova corrida, nova viagem

Olhar a morte de frente sempre foi um óptimo argumento para dar novo fulgor à Vida.

Os limites mostram-nos sempre onde termina o que somos e onde começa o que ainda não somos.

Trabalhar significa a oportunidade de trazer ao de cima. 
Significa assumir, para decidir se é para sedimentar ou se é para alterar.

Só assim conseguimos passar ao degrau seguinte e saltar para o próximo aquário.

Dizem que no final está um oceano à espera. 
Estaremos preparados para esse dia que se aproxima?
Quantos aquários faltam ainda?
No dia do Grande azul, seremos néons, tubarões ou baleias?
Ou simplesmente Nós Próprios, na plenitude de auto-conhecimento e enraizamento, de queixo erguido, com o sentimento de missão cumprida?


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Alvo

Mesmo que mil vezes sejam necessárias para Encontrar, não podemos deixar-nos embalar na canção da Procura, sob pena de nunca Achar.

A cada tentativa,devemos criar o espaço necessário para que sendo, seja.





quarta-feira, 29 de maio de 2013

Koan

"Porque é que o sol se põe todos os dias?"
A pergunta serve de mote para um encontro de amigos e fica sem resposta.

Talvez porque não é para ser respondida.
Talvez porque é apenas para ser formulada.

Tal como no famoso Koan (http://pt.wikipedia.org/wiki/Koan):
 "Batendo duas mãos um na outra temos um som; qual é o som de uma mão?"

, também para esta questão sobre o pôr do Sol não existem respostas, apenas momentos.



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Levanta-te!

Na Islândia existem poucas árvores e por isso existe o seguinte ditado popular:

"Se te perderes na floresta, levanta-te!"

Diria que este ditado adequa-se não só à Islândia mas acima de tudo aos grandes desafios da nossa Vida - por vezes basta simplesmente procurar novas perspectivas, muitas vezes inesperadas.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Veículo

Entregaram-me nas mãos comida vegetariana e pensei:
Olha que interessante! Não sou fundamentalista mas sempre que tenho a opção de não comer carne, prefiro. 
E aqui está uma refeição vegetariana, sem mais nem menos, sem ter sequer que pedir!

Inesperadamente ouço ao meu lado um senhor de idade, a solicitar comida vegetariana argumentando a sua religião. O problema é que no seu caso, ele não tinha reservado e o caso aparentava estar encerrado.

...a não ser que...

A não ser que a refeição vegetariana que tenho ao colo não seja afinal para mim.
Talvez pensar que esta refeição é para mim é no fundo cair na tentação de pensar que tudo gira à minha volta.

Acabei por oferecer-lhe a minha refeição. 
Ele agradeceu com um grande sorriso nos lábios, oferecendo-me em troca a refeição a que tinha direito.

Pensei para com os meus botões que na realidade não seria a mim que ele tinha que agradecer.
Talvez eu tenha sido apenas um veiculo.
E se dúvidas existissem, estava a meio do filme "Life of PI" e passados 10 segundos disto ter ocorrido, o protagonista do filme oferece comida vegetariana ao seu convidado.

Que mistério fascinante este das coincidências! 

A sensação que tenho é que quanto mais abertos estamos para estar atento, mais frequentes são estes mistérios.

Há quem lhe chame estar "ao serviço".
Há quem lhe chame fé.

Não sei o que lhe chame mas que levanta muitas questões, sem dúvida que sim.
Especialmente quando se torna recorrente.

Uma vez encontrado o fio condutor, é como se fosse um jogo.
E dás por ti a sorrir quando ninguém à volta parece estar a ouvir.

Os desafios são sempre assustadores até decidires abraçá-los.



quarta-feira, 15 de maio de 2013

Open road

o teu caminho não tem que ser o caminho do rebanho. 
Só precisas de uma boa raíz para descobrires uma auto-estrada só para ti.


terça-feira, 7 de maio de 2013

Pirâmide

A única forma de escalar a Pirâmide Invisível é através da integridade e do carácter.

Manter o caminho leve, suave e consistente fará com que a viagem cumpra o seu propósito.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Liberdade

A liberdade é o sangue da Vida.
Ontem dei sangue.

Foi o que me disseram.
Creio que ainda não atingi o verdadeiro alcance das palavras que me foram dirigidas.

Em todo o caso, pensei partilhar contigo esta maravilha que é poder fazer algo, em prol dos outros e não de ti próprio.

A dádiva é algo que transcende o teu Mundo e devolve-te todo um Universo.
Quanto mais cara for a dádiva, maior será o sentido.



quinta-feira, 2 de maio de 2013

Simples e fresca


Pergunta:
Porque é que tem que ser assim?

Resposta:
Porque sim.
Porque já era assim.
Porque foi assim que aprendemos.
Porque representa todo o conhecimento adquirido pelos que vieram antes de ti.

Pensei:
Que peso! Que lastro!
Não pelo conhecimento em si, mas sim pelo carga associada a todas as tentativas e erros.
Será que é mesmo preciso “sentir sofrimento para dar valor ao conforto”?

Como?
Não!  Basta!

Olhei em redor.
Optei pela liberdade.
Mudei de direcção e segui o caminho não percorrido.

O desconhecido.

Para surpresa ou talvez não, encontrei um local fresco e simples.
Afinal o conhecido era o pesado e o desconhecido, o leve.
Afinal era o medo que escondia o riso, tal como no Nome da Rosa.

Não é preciso agarrar os espinhos para sentir o seu perfume.
Basta reconhecê-los e respeitá-los.
Por vezes sentimos que a Montanha a escalar é demasiado alta ou demasiado densa,
e no entanto,
e sem pensar,
seguimos os outros,
tal como cordeiros percorrendo o caminho já traçado,
o suposto caminho seguro.
deixando morrer aos poucos o nosso olhar, bem junto aos nossos pés.

Avançamos assim lentamente, carregando aos ombros o nosso peso e o peso dos outros.
Subimos montanhas simplesmente porque sim.

Umas atrás das outras.

Basta!

É preciso saber que é possível ousar passar por cima dos limites do trilho
e aventurar-se na relva fresca por debaixo dos pés.
E permitirmo-nos descobrir que afinal há montanhas que não são para ser escaladas.

A Vida não tem que ser difícil,
A Vida não é difícil.

Não só quando ela aparenta ser, mas também e acima de tudo, quando efectivamente não é.
 
...Difícil é a sua ausência.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Reflexo no espelho

Olhar-nos ao espelho.
Olhos nos olhos.

Parar e observar com atenção.
Perceber quem está no espelho, por detrás daquele olhar.

Questionar,
Confrontar,
Crescer.

Se todos os dias somos capazes de tratar da nossa higiene e tornarmos-nos um pouco mais agradáveis ao espelho, porque não incluir também um simples olhar nos nossos olhos.

10 segundos bastam para deixar uma semente.
Um pensamento, um ponto de interrogação.
Algo que vai crescer dentro de nós ao longo do dia e que assim nos torna mais consistentes por dentro.
Com mais corpo, mais tutano.

Lavar o nosso olhar todos os dias torna-o inevitavelmente mais forte, mais diferente.

Ao ponto da futilidade se afastar naturalmente de nós pelo desconforto que o nosso olhar passa a proporcionar.

10 segundos por dia são assim como um vírus que se instala e que nos ajuda aos poucos, a separar o trigo do joio.



quarta-feira, 17 de abril de 2013

Próximos passos

Terminei hoje o programa de voluntariado "Economia para o sucesso" da Junior Achievement.

Como seria de esperar, foi mais o que recebi do que o que dei.

Retenho para memória futura o olhar embargado de uma jovem que num misto de motivação e agradecimento pelo facto de ter nascido em Portugal, reconheceu a responsabilidade de aproveitar a oportunidade que lhe está a ser servida de bandeja pelo facto de ter acesso gratuito à Educação.

Desejo bons voos aos 28 alunos com quem tive o prazer de partilhar estas 6 aulas.
Obrigado pelo que me ensinaram.

terça-feira, 16 de abril de 2013

A linha recta

Seguir a curvatura de uma linha recta significa encontrar a flexibilidade por entre as nossas convicções.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Sozinho

Estás sozinho(a) porque te abandonaram ou porque te abandonaste?

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A verdade de Platão

Se ouço alguém como o Roberto Leal citar pelas suas próprias palavras conceitos reclamados por Platão, será que tenho legitimidade para não valorizar as suas palavras?
Não estará o meu preconceito que tenho da personagem "Roberto Leal" a condicionar a minha percepção de valor?

Seja Platão, Roberto Leal ou outra pessoa qualquer, vale a pena, em vez de perder tempo com a suposta legitimidade das afirmações, olhar para o seu conteúdo.
Afinal de contas é isso que importa.

A Verdade não pertence a um Homem, mas sim a uma Humanidade.


Deserto

Atravessar o deserto pode ser um desafio ou uma benção, dependendo se és tu que escolhes ou se são outros que escolhem por ti.

Quando somos nós a escolher o deserto, a sua imensidão representa o ar que necessitamos, a pausa pela qual ansiamos.

Não importa se te dizem que o deserto é mau ou significa fome.
Talvez seja exactamente fome o que tu precisas.