sexta-feira, 20 de maio de 2011

Espiritualidade e Trabalho

Mais e mais vezes sou confrontado com pessoas de valor incalculável e reconhecido para a sociedade que só após uma vida de trabalho começam a nascer para a sua própria espiritualidade depois de ter sido relegada para 2º plano por quase 60 anos.

Dizia no outro dia um amigo que as igrejas estão cheias de crianças e idosos.
E é verdade. O que é que afinal acontece às pessoas entre os 15 e os 65?

De tal forma é tremendo este fenómeno que se chega inclusivamente a pressupor que a espiritualidade e a vida profissional são como água e azeite. São incompatíveis.
Ou o Homem é espiritual e anda nas nuves - não trabalha.
Ou o Homem trabalha que nem um cão e esquece por completo o sentido da vida.

Também aqui há o caminho do meio.

Não vou defender a igreja A ou B. Pode ser uma qualquer igreja, credo ou filosofia.
O que te pretendo dizer é que devemos ter uma espiritualidade trabalhada e em constante crescimento como parte integrante e essencial da nossa vida.

Estou-me a lembrar por exemplo de Martin Luther King - um grande exemplo de enraizamento, intenção, objectivo, trabalho e espiritualidade.


Trabalhar a nossa espiritualidade faz de nós Seres mais completos, mais maduros, mais produtivos.

Convido-te então a olhares para ti de vez em quando.
Tal como quando olhas para o espelho, mas neste caso não para o que se vê de fora.
Olha para o que és de dentro.
Acaba de uma vez por todas com o desconhecido que há dentro de ti.

Este é apenas um pequeno passo mas que é essencial para que todos em conjunto possamos finalmente quebrar este ciclo terrível que invariavelmente nos leva às portas da Morte para só aí acordarmos para a Vida.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Salto de fé

Ter coragem para abrir os olhos.
Transportarmo-nos para lá do evidente.
Encontrar o sentido onde ele não existe.
Procurar.
Crescer.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Boas raízes + maus ventos = Muitas tempestades


É importante escolher o terreno onde vamos construir as nossas raízes.
É importante seleccionar uma zona fértil para lançar as nossas sementes.
É aí que cresceremos e será aí que nos transformaremos no melhor que podemos ser.

Mas também é importante escolher bem os ventos a que nos vamos expor.
As raízes serão a base da coluna vertebral, e quanto mais fortes forem, menos susceptíveis ficaremos a não sermos fieis a nós próprios.
Mas face a ventos constantes e consistentes, apesar de não mudarmos na essência, moldamo-nos, mesmo que não nos apercebamos disso.

As raízes são importantes, é certo, mas não nos podemos esquecer dos ventos.
Principalmente dos Maus Ventos.

Tal com a água fura a pedra, o vento molda a madeira.
Umas boas rajadas são óptimas para solidificar as nossas virtudes,mas às vezes talvez seja melhor reconhecer a nossa teimosia que brota de raízes fortes e profundas e perceber que se calhar, boas raízes não chegam, não são tudo.

Perceber que talvez por muito que nos custe, valha a pena mudar de terreno.
Porque temos que ter em conta o que nos rodeia e quem nos suporta.

A madeira acabará sempre por ser moldada.
É importante saber se os ventos sopram na direcção certa.
Caso contrário, só compraremos tempestades.

Tempestades entre o que sabemos que somos e aquilo em que nos vemos transformar.
Desilusões, injustiças e amarguras das que mais doem, das que mais nos marcam.

E isto aplica-se a todas as vertentes da nossa vida.

Duas máximas da sabedoria popular que se aplicam aqui na perfeição:

• “Diz-me com quem andas, dir-te-ei que és.” e
• “Mais vale só que mal acompanhado.”

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Aprender a voar


Existem fotos para as quais parecem não existir palavras.
Estas são exemplo disso.

Ser Pai é aprender a dar tudo o que de melhor conseguimos ser.
É crescer para poder dar.

Na realidade, ser Pai é alimentar e ser nutrido.
É abraçar e ser Amado.

Aos poucos vão abrindo as suas asas, e de pequenos pardais transformam-se em águias reais.

Vemo-los aprendendo a voar, ultrapassando os seus obstáculos, definindo novos limites.

Por isso, momentos como este são inestimáveis.

Momentos em que os nossos filhos nos deslumbram com a sua beleza e simplicidade e nos resumem ao pouco que somos perante aquilo que eles têm para nos ensinar.

Que voem alto.
Muito alto.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Um momento

Uma foto com muita, muita coisa para contar.
Basta só parar e olhar para ela com atenção.

O que significa,
A que diz respeito,
Quais as causas, as consequências,
O semblante das pessoas
O seu posicionamento na sala.


Muitos porMaiores.

("Sala de crise" - Casa Branca a acompanhar em directo a operação contra Bin Laden)

domingo, 1 de maio de 2011

Conquistas

A Liberdade que resulta da consciência tranquila.
O Orgulho que se ganha por si próprio.

Batalhas que se vencem em campos secretos.
Mundos que se conquistam em Universos privados.

Sorrisos que ateiam o nosso coração.
Fogueiras que aquecem o nosso espírito.

Ter Consciência que o tempo que nos foi concedido, não é em vão.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Casca de ovo

A propósito de regras de etiqueta e da ausência das mesmas quando alguém já é sobejamente reconhecido como pessoa respeitável, lembrei-me da casca de um ovo.

As regras de etiqueta são como um caminho das pedras para o aprendiz.
É preciso aprender a linguagem para depois poder falar e mais importante que isso, ser ouvido.
Nessa altura já todos sabemos que a mensagem não vem de fora, vem de dentro.

Nessa altura, já ninguém liga à casca do ovo.
Estou-me a lembrar por exemplo do notável Agostinho da Silva. Ninguém olhava para a sua casca, apenas para o seu conteúdo. E haviam muitos que não só o deixavam falar, como também o ouviam.

Na realidade a casca não serve para nada - apenas para colmatar uma insegurança juvenil que surge à volta da gema.

O auto-conhecimento leva-nos a uma vida sem máscaras.
Porque é no conteúdo do ovo que está o valor, não na sua casca.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A mentira

Triste é o momento em que o mentiroso é apanhado.

É triste porque se vê ressoar dentro do mentiroso uma enorme desilusão para consigo mesmo - por aquilo que se é e que se sabe que não se deveria ser.

Sei do que falo. Já menti e já fui apanhado e ainda bem que assim foi. Serviu-me de lição.
Doeu-me no peito – tinha 11 anos e falhei para com o meu melhor amigo. Mas marcou-me.
E agora compreendo este sentimento de desilusão nos olhos de quem desmascarei.
Mas tenho a dizer-te meu amigo. Não deve ser visto com tristeza, deve ser visto como uma boa oportunidade – Uma boa lição para não mais esquecer.

Mentir e ter a sorte de ser apanhado é bom quando se aproveita a oportunidade para aprender.
Assumir, Aprender e Começar de novo – de cabeça levantada.
Não tem mal – Aprender com os nossos erros é sinal de inteligência e maturidade.

O contrário é condenarmo-nos ao caminho do mentiroso compulsivo.
Tristes são os seres humanos que acreditam numa realidade que não existe senão na sua própria imaginação, criada à sua volta, envolta em milhares de mentiras, umas sobre as outras, perdendo-se a noção de quem é. E pior que isso, acreditando que todos à sua volta são cegos.
Tudo apenas para fugir à desilusão.
Tudo para negar que se é humano e que se pode errar.

Chegam a passar-se anos.
A dor não vai parar de acumular.
Pode deixar de doer, mas não vai parar de acumular e corroer por dentro como um veneno, como um ácido.
Até ao ponto em que nos tornamos num vazio só, sem sentido.
E nesse momento acordamos.
Acordamos para o pesadelo que criámos à nossa volta. Que choque. Que Morte.

Mais vale assumir e aprender.
Quanto mais cedo começarmos, melhor.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Imortalidade

Hoje foi mais um daqueles dias em que fui presenteado por um momento onde senti a inspiração passar ao de leve perante os meus olhos.

Ali estava ela, no fundo do meu cérebro.
Aquela pequena "sensação" de um momento só, que como que sorri na minha direcção e ao mesmo tempo foge de mim quando a tento perceber.

Como se ao tentar interpretar esta "sensação" dando corpo ao que estou a viver sob a forma de linguagem verbal, estivesse simultaneamente com este verbalizar a fazer com que o "sentir" se escape por entre as mesmas palavras que o tentam definir.

Mas acho que consegui apanhar a ideia e verbalizá-la - foi à justa, mas aqui vai:

Naquele segundo senti o que é ser imortal.
Por magia, vindo não sei de onde nem como, inundou-me um "Sentimento de Imortalidade".
Num único par de segundos libertei-me das correntes enferrujadas do Tempo e vi-me assim, tal qual como sou.

Agora,
Sem antes nem depois,
Sem idade.
Sem juventude nem velhice

Senti-me naquele segundo apenas e só o Eu que eu sou.
Em tudo aquilo que sou.

Livre, sem Tempo.

e depois, logo de seguida, foi-se embora da mesma forma que veio este "Sentimento de Imortalidade".

Sim Tu!
"Sentimento de Imortalidade", espírito em mim, que ao ires, me acordaste de novo, de volta à Terra e à idade que tenho, 
de volta a tudo o que isso significa. 
De volta ao que foi antes de hoje e o que virá amanhã.

Foste, mas sei que voltarás.
Porque cada vez mais te entendo e reconheço quando em mim fazes acordar a consciência ainda que de forma breve,
ainda que de forma fugaz.

terça-feira, 22 de março de 2011

Falsos profetas

Vejo os falsos profetas como pessoas que no seu âmago gostariam de ser aquilo que apregoam.

Mas ainda não conseguem.

Falta-lhes o tempo.
Tempo para olharem para si próprios e entenderem o verdadeiro significado daquilo que defendem.
Porque no fundo, as palavras estão correctas, aquilo que as sustenta é que ainda está verde e precisa de ser amadurecido.

Mas enfim, é um princípio.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O efeito boomerang

O amor não se pede, dá-se.

Se o pedinchares, ele foge.
Se o ofereceres, ele bate-te à porta

Quanto mais o atiras ao vento, mais o vento te o traz de volta.

Semeia-o no teu quintal e repleta de frutos estará sempre a tua mesa.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Mudança de perspectiva

Avistei ao longe um homem de 30 anos a brincar sozinho com um papagaio.
Ele não estava ali, a pretexto de uma suposta ajuda ao seu filho.
Estava ali,  sozinho, com o seu papagaio.
Não havia vento.
Parecia um absurdo o que ele estava a fazer.
Levantava o papagaio e ele naturalmente voltava a cair.
Mas havia um sorriso no semblante deste homem que estava ali no meio do nada, sem vento nem vergonha.
Porque ele estava apenas e só, a brincar, com o seu papagaio.

Reparei que ele estava careca. Não era careca, estava.
Percebi que provavelmente estava a atravessar mais uma ronda de faixas de quimio.
É foi aqui que tudo fez sentido.

Estar ali, mesmo sem vento não era uma parvoíce, era recuperar o tempo perdido.
O tempo que para ele de repente se tornou limitado, agora que viu o fim da aventura mais perto do que supunha.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Propósito


Existem momentos em que nos sentimos um tipo diferente de surfista.
No mesmo mar, na mesma onda, mas com outro propósito.
Com um propósito mais sério e profundo que só a nós nos diz respeito.




terça-feira, 1 de março de 2011

Nascer e Viver

Mais do que nascer, saber Nascer...
Todos os dias.

Actos

Um Homem fala sempre Melhor através dos seus actos.
Por mais inesperados ou simples que sejam, é às vezes nas pequenas acções que se distinguem os Homens.
Por intermédio da comodidade é permitido filtrar e descortinar onde fica a linha de separação entre o que diz o que faz e o que faz o que diz.

Neste caso, falar melhor não deve ser entendido como algo que se sobressai perante outro.
Neste caso, refiro-me a Melhor no aspecto de ser mais verdadeiro para consigo e para com os outros.

Esse tipo de Melhor.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Poeira

A poeira que se instala na nossa Visão é o fruto dos nossos ressentimentos.

Somos nós que lá a colocamos.
Somos nós que a conseguimos de lá tirar.



sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Absurdo

Às vezes há alturas em que alguém nos diz algo ou reaje de certa forma que nos parece totalmente imcompreensível, desenquadrado e absurdo.

O tempo passa e eis quando se faz luz.
Por vezes são 2 segundos, outras vezes 2 anos.

E quando são 2 anos que precisamos, é porque esse foi o tempo necessário para obter a experiência devida para agora entender o que de outra forma nos parecia tão estranho.

A palavra absurdo deriva do adjetivo latino surdus, "surdo".

Chego à conclusão que não há absurdos, há é momentos de surdez.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

À espera


À espera para Nascer,
À espera para Crescer,
À espera para Morrer.

À espera de ser Grande,
À espera do Romance,
À espera do Emprego,
À espera do Sossego,
À espera do Filho,
À espera do Destino.

A Vida não espera e a Morte também não.
Do que é que estás à espera?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Coragem para parar

Coragem para criar espaço.
Coragem para enfrentar desafios.
Coragem para finalmente perceber que abrandar é a melhor forma de acelerar.

"Como uma árvore, com as suas raízes profundas, tronco forte e grandes ramos, vais parecer que estás imóvel. Na realidade estarás crescendo por dentro" - LAM Kam-Chuen



Mapa do tesouro

Meditar, escrever, cultivar o inesperado, definir objectivos ridiculamente pequenos e tangíveis e aprender a relativizar os problemas. Se no meio disto tudo conseguires ainda desenvolver compaixão pelo próximo, diria que estás no bom caminho.

É melhor ver o vídeo:

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Concentração e Foco


Fronteira emocional

Ténue é a fronteira entre o riso e o choro, mas onde há riso, não há choro.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O carreto primordial

Imagina um sistema de carretos de desmultiplicação.

O primeiro carreto gira a metade da velocidade do segundo.
O segundo, gira a metade da velocidade do terceiro e por aí adiante.
Imagina que o teu primeiro ano de vida representa a tua primeira roda dentada, o teu primeiro carreto.
E por cada ano que passa acrescentas mais uma roda dentada, que gira ao dobro da velocidade da anterior.

Hoje, ao olhares ao espelho, contemplas a velocidade de rotação da tua última roda dentada – a velocidade que é a tua frequência, a tua evolução – o teu estado.

O primeiro carreto gira agora de forma lenta, quase imperceptível - ele é a tua essência – difícil de rodar, difícil de modificar, de tão profundo que está.

Para que agora a tua essência se modifique é necessário que as camadas superiores, nomeadamente a última gire milhares de vezes, tome milhares de passos, suba milhares de degraus, enfrente milhares de desafios, encontre milhares de soluções na esperança de encontrar a Linha Condutora, a Solução, a Mensagem.

Por outro lado, se fizeres a tua viagem de descoberta interior aprendes algo de inestimável.
Aprendes a controlar a velocidade de cada roda dentada, independentemente da sua camada, da sua profundidade.

Ao viajares no teu interior, encontras a forma de chegar a cada carreto, a cada mudança.
E quando chegares à roda essencial e aprenderes a movê-la, descobrirás que afinal de contas ela não é pesada.
É tão leve quanto as outras.

Mas nessa altura constatarás que cada vez que rodas o carreto primordial, milhares de resoluções se repercutem nas camadas superiores, lá em cima, à tona da água do teu lago.

É a altura em que aprendes a ser um lago diferente.

Um lago de água profunda.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Uma forma simples de ser feliz

Evitar a conversa da treta.
Reduzir ao mínimo os momentos em que se fala do Nada.
Isso faz com que se abra espaço para momentos valiosos, que se recordam, que nos fazem crescer.
Isso abre caminho à reflexão, à partilha e à descoberta.

Aos poucos começamos a gostar mais de nós próprios, de ter orgulho do que somos.
E isso, faz-nos felizes.

Dogmatismo

Quando olhamos para algo que nos é desconhecido, a primeira coisa que fazemos é enquadrá-lo em conceitos já adquiridos.


Dreads, betos, góticos, freaks, punks, diplomados, Informáticos, Operários, Professores, Políticos.
Estes são só alguns exemplos dos milhares de conceitos que temos dentro da nossa cabeça, cada um com com determinado grupo de características que se foram cimentando ao longo das nossas experiências.

O problema é que ao estereotipar, passamos a ouvir parte daquilo que a pessoa realmente diz - É como se colocássemos um filtro.

Ao decidimos que uma pessoa é de determinado género, grande parte do que ela diz parece-nos de repente estar de acordo com a nossa percepção.
(Já reparaste que sempre que decidimos comprar um determinado produto X, de repente todos à nossa volta já o têm?)

O nosso cérebro fica atento ao que lhe dizemos para ficar atento.

É isto que acontece com tudo à nossa volta e também com as pessoas que nos rodeiam.

Se dizemos na nossa cabeça que determinada pessoa é de determinada forma, então o que essa pessoa nos diz passa automaticamente a ser coincidente com a forma - A primeira impressão é importante por isso.

Digo isto sem querer chegar a extremismos, caso contrário estava a cair no próprio problema que estou aqui a identificar.

O ponto é que, se por um lado precisamos de balizar para entender, temos que ao mesmo tempo ter a preocupação de não balizar demasiado, caso contrário corremos o risco de perder a capacidade de compreender.

A propósito de compreensão, deixo-te um pequeno vídeo que fala sobre os dois lado da mesma moeda, ou neste caso, as duas mãos do mesmo corpo.